18 julho 2016

Segundo semestre vai ser positivo para suinocultura


O primeiro semestre de 2016 foi particularmente desafiante para a cadeia produtiva de suínos. Enquanto o preço do quilo vivo do animal caiu mais de 40%, o milho, principal insumo do custo de produção, acumulou alta de mais de 100% nos últimos 12 meses. Nesses primeiros seis meses do ano, os suinocultores brasileiros reduziram os investimentos, descartaram matrizes e muitos até mesmo deixaram a atividade. A partir de maio o mercado reagiu e nos últimos 30 dias o preço do suíno vivo subiu 35,35% na bolsa de Belo Horizonte e 40,46% na de São Paulo, trazendo um pouco de alívio aos produtores. Grande parte desta reação deve-se às exportações de carne suína que devem encerrar o ano com volume recorde de vendas no mercado internacional.

Normalmente os preços do suíno vivo no segundo semestre são melhores que no primeiro. O início do segundo período de cada ano é caracterizado por temperaturas mais baixas que favorecem o incremento do consumo de carne suína e, ao término deste período, as festas de final de ano naturalmente aquecem as vendas. Os embarques para o exterior geralmente também apresentam volumes mais altos nos últimos seis meses de cada ano e, assim, é bem possível que 2016 seja o melhor ano da suinocultura brasileira no mercado externo. Nos primeiros quatro meses desse ano o Brasil vendeu a mesma quantidade de carne suína que nos seis meses do ano passado.

A maior incerteza está relacionada às cotações das commodities agrícolas. A chegada da segunda safra de milho, que responde por mais de 60% de toda produção brasileira do grão, ainda não se mostrou capaz de reduzir os preços ao nível dos praticados no ano passado. A soja, assim como o milho, também atingiu no final do primeiro semestre de 2016 a cotação recorde do grão, e a expectativa é que a saca chegue aos R$ 100,00. Supreendentemente, o Brasil deve importar neste ano tanto milho quanto soja, o que apesar da estranheza de muitos, pode se tornar uma constante daqui para frente. O milho subiu acima dos R$ 50,00 a saca e daqui para o final do ano, ainda que sem um limite seguro, os preços cairão e favorecerão os suinocultores.

Por fim, a economia brasileira também vai começar a se recuperar no segundo semestre desse ano. Apesar de 2016 ainda apresentar forte queda do Produto Interno Produto (PIB), projetada para terminar o ano com redução de quase 4%, não há mais muitas dúvidas que a recuperação deve se iniciar ainda este ano, e alguns economistas já arriscam um crescimento entre 1,5% e 2% em 2017. Logicamente que o conturbado cenário político ainda é uma incógnita, mas depois de três anos consecutivos de queda é natural o início de uma recuperação lenta e gradual. Como em todas as crises anteriores, a suinocultura brasileira vai sair desse período de baixa mais forte e pronta para crescer ainda mais, e a única certeza do momento é que o seu futuro é promissor.

Fonte: Blog do Coser