29 junho 2016

PR investe na produção de tilápia e se torna referência nacional


Concentrada na região Oeste, a produção do peixe é uma boa fonte de renda para pequenos produtores

Apesar de ser uma atividade relativamente recente, o Paraná já se tornou um dos líderes no cultivo de peixes, com destaque para a tilápia, que responde por 85% da produção nacional e 77% do estado. Somente em 2015, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), estima-se que a produção de pescado atingiu cerca de 91 mil toneladas, 19% acima de 2014. Para este ano, a expectativa é que o volume chegue a 110 mil toneladas, um aumento de 22%.

“O aumento da demanda, a expansão de frigoríficos, abatedouros e a entrada das cooperativas impulsionaram o cultivo de pescados no Paraná”, explica o responsável pelo projeto de Piscicultura do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Luis Danilo Muehlmann.

Concentrada na região Oeste, a produção é uma boa fonte de renda para pequenos produtores. Em um hectare é possível obter uma renda anual bruta de R$ 25 mil. “A cadeia está se estruturando. É uma atividade tão rentável quanto outras culturas”, afirma Muehlmann.

Investimentos

A Cooperativa Copacol, referência na produção de frango, também apostou na piscicultura e, em 2008, inaugurou uma unidade de abate de peixes em Nova Aurora, no Oeste do estado. De olho no grande potencial do setor, investiu cerca de R$ 80 milhões para duplicar a produção diária de 70 mil para 140 mil tilápias, a partir do ano que vem.

A cooperativa também é a única com o sistema de produção integrado. A Copacol fornece assistência técnica, ração, os peixes e também faz a retirada das tilápias para o abate. Atualmente são 150 produtores integrados. “A ideia é criar novas oportunidades e ampliar a renda do cooperado. Os desafios são grandes, mas há uma expectativa muito boa de crescimento do consumo, tanto no mercado interno quando para exportação”, explica o presidente da Copacol, Valter Pitol.

Segundo a economista da Embrapa Pesca e Aquicultura, Andrea Pizarro Muñoz, a piscicultura precisa de uma maior integração da cadeia para aumentar a oferta para o mercado interno e externo. “Com um apelo cada vez maior pelo consumo de peixe devido aos benefícios à saúde, a demanda é crescente, mas a produção local, apesar do bom ritmo de crescimento, não atende às necessidades de consumo. O produto ainda é caro ao consumidor”, ressalta Andrea. Atualmente o quilo do filé de tilápia é vendido no varejo a R$ 34,35, mais caro que a maioria dos cortes de carne bovina. Há um ano, o produto custava R$ 29,31.

“É um modelo de negócio que está em crescimento, mas ainda tem muito a se fazer. Precisamos de uma cadeia mais organizada não apenas através da integração, mas também com novos frigoríficos. Além disso, é importante fomentar o consumo e aumentar a capilaridade da nossa produção”, afirma o técnico do Deral, Edmar Gervásio.

Licenciamento é entrave para setor
Andrea Côrtes

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a produção mundial de peixes é de 158 milhões de toneladas e o Brasil responde por menos de 1% desse total. Apesar de ser um dos setores que mais cresce em comparação às outras cadeias de carnes, para o secretário executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, o país precisa criar uma política pública nacional para incentivar o setor que registrou um déficit na balança comercial de US$ 1 bilhão em 2015.

“Nosso maior entrave para o crescimento da produção é a burocracia dos licenciamentos. E os produtores só conseguem acesso a crédito se tiverem licenciamento ambiental. Hoje, todos os investimentos são alavancados com recursos próprios”, afirma.

Para facilitar o procedimento e incrementar a produção, desde 2013, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) dispensou o licenciamento ambiental para tanques escavados de até 20 mil m² ou com produção inferior a cinco mil quilos por hectare/ano. O produtor também deve estar inscrito no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e sua propriedade fora de áreas de preservação permanente (APPs). “O Paraná tem 22 mil famílias de pequenos piscicultores e a nova resolução vai contribuir para a geração de renda desses produtores”, afirma o engenheiro de pesca do IAP, Taciano Maranhão.

A autodeclaração, feita nas unidades regionais do IAP, estará disponível pela internet nos próximos 30 dias. Desde 2011 já foram emitidos mais de 2 mil licenças no Paraná. “Se der certo vamos tentar replicar em outros estados”, explica Medeiros.

Fonte: Gazeta do Povo