Tratamento

A eliminação das infecções uterinas de uma forma rápida e efetiva se torna essencial para a melhora da fertilidade, minimizando o grande impacto econômico negativo que uma endometrite pode exercer sobre a produção de leite, números reduzidos de bezerros, maiores custos de inseminação, descarte precoce das vacas etc..

Estudos demonstraram que a ausência do Actinomyces pyogenes 14 dias pós-parto teve uma influência significativa e positiva no aumento da taxa de concepção e que vacas que foram curadas contra esta bactéria tiveram 3 vezes mais chance de concepção na 1ª IA e 5 vezes mais chance de obter uma concepção positiva até o 200º dia pós-parto, quando comparadas àquelas vacas que não foram curadas.

Portanto, quanto mais cedo for feito o diagnóstico correto de uma endometrite subaguda/crônica, melhores serão os índices de produtividade.

Outros estudos demonstraram que vacas que recebem dois tratamentos sucessivos contra o Actinomyces pyogenes a partir dos 14 dias pós-parto, têm duas vezes mais chances de conceber do que as vacas que foram tratadas aos 90 dias pós-parto.

Diversos tratamentos com medicamentos são preconizados para a cura das endometrites.

Os mais indicados são aqueles em que se utilizam produtos de uso local e infusões intrauterinas com antisépticos e antibióticos e/ou tratamentos sistêmicos com antibióticos sistêmicos em uso injetável, por um ou vários dias, dependendo do grau da infecção.

Hormônios também são utilizados na terapia de endometrites subagudas/crônicas, como as prostaglandinas.

Podem-se empregar prostaglandinas para o tratamento de endometrites subagudas/crônicas, as quais apresentam bastante efeito nos casos em que há a presença de um corpo lúteo no ovário, mas podem ter também um efeito de aumento da imunidade uterina.

A vantagem de uso das prostaglandinas é a especial vantagem de dispensar o descarte de leite.

Diversos agentes anti-sépticos são utilizados na terapia de uma endometrite subaguda/crônica, muito embora não exista nenhuma prova que demonstre o efeito positivo desses fármacos, existindo sim, trabalhos que demonstram o efeito negativo desses agentes no útero.

O uso de um antiséptico no tratamento de uma infecção uterina é justificado por muitos pelo fato de ser um irritante de ação local podendo causar uma luteólise.

Isto não é verdade, pois não se sabe se esta vaca é portadora ou não de um corpo lúteo, por que nem sempre ele está presente quando se tem uma endometrite subaguda ou crônica.

Se o corpo lúteo está presente, a melhor terapia é a prostaglandina, pois a indução da luteólise é mais garantida e muito segura do que as obtidas com os irritatantes intrauterinos, como aqueles à base de iodo.

Além disso agentes irritantes podem agravar o dano ao epitélio uterino, possibilitando piora do quadro clínico da doença.

O tratamento sistêmico com antibióticos é muito utilizado, porém existem dúvidas quanto ao seu sucesso devido às concentrações terapêuticas alcançadas no útero, pois muitas vezes, níveis abaixo da CIM nos tecidos uterinos são encontrados, tendo o grande inconveniente ainda da exigência de um longo período de descarte de leite.

Para que seja escolhido um antibiótico que tenha uma boa eficácia no controle dos principais microorganismos causadores das endometrites, é importante selecionar um que possua as seguintes características:

  • Resistente às penicilinases
  • Manutenção da sua atividade contra os principais patógenos causadores da infecção mesmo em um meio anaeróbico, em presença de pús e debris orgânicos
  • Que não perca a atividade quando estiver no meio uterino

No tratamento intrauterino com antibióticos a sua efetividade está limitada em função de alguns aspectos, como nos casos em que tem que ter o espectro correto para as principais bactérias envolvidas na infecção.

A conseqüente manutenção de uma alta concentração antimicrobiana na cavidade uterina e no endométrio sem o inconveniente de provocar a inibição da defesa natural e irritação do útero é essencial.

Quando um antibiótico é aplicado dentro do útero, sua absorção sistêmica é determinada por sua classe, concentração, veículo utilizado e formulação e no caso dos produtos convencionais não alcançam com muita frequência concentrações efetivas na vagina, cerviz, ovários e ovidutos.

Portanto, a obtenção de uma alta concentração antibiótica dentro do útero depende muito do tipo de veículo utilizado, para que assim seja alcançada a concentração mínima inibitória contra os principais patógenos ali presentes.

Diversos fatores limitam o uso de antibióticos em aplicação intrauterina, tais como:

  • A resistência e irritação intrauterinas (ex. oxitetraciclinas, nitrofuranos)
  • Produção de penicilinases que inativam o antibiótico (ex. Penicilinas)
  • Atividade reduzida no meio anaeróbio (ex. aminoglicosídeos)
  • Presença de debris celulares no útero com redução da atividade antimicrobiana (ex. sulfonamidas)
  • Inativação pela presença de sangue e pus (ex. Nitrofuranos)
  • Susceptibilidade bacteriana com maior ação nos Gram + (ex. Macrolídeos).

Atualmente, existe no mercado um produto para infusão intrauterina e pronto para uso, sem efeitos colaterais, formulado com um antibiótico do grupo das Cefalosporinas, cujo veículo especial proporciona que a Concentração Mínima Inibitória seja alcançada contra os principais germes presentes no útero da vaca.