Tratamento
O primeiro produto químico com propriedade acaricida registrado no mundo foi o Arsênico, em 1895, mantendo um controle satisfatório dos carrapatos até 1935.
A partir desse ano, apareceram resistências aos Arsenicais na Austrália e África do Sul e em 1948, vários países da A. Latina, inclusive o Brasil, já apresentavam problemas no controle desses parasitos.
Muitos outros produtos químicos com atividade acaricida e inseticida foram sendo introduzidos, principalmente os Clorados, sendo chamados de inseticidas de 1ª geração, sendo os principais o DDT e o
BHC.
Os Clorados, com o passar do tempo, foram apresentando problemas e consequente substituição, como por exemplo:
- O DDT foi utilizado desde 1946 e nos meados da década de 50, já existia o desenvolvimento rápido de focos de resistência na Austrália e América do Sul
- Entretanto, em muitos países, o desenvolvimento da resistência ao DDT foi de uma forma mais lenta, ampliando o tempo de uso deste produto, sendo utilizado com muita frequência até o início da década de 60
- Com o BHC a partir de 1952 já se reportavam resistências na Austrália, África do Sul e alguns países da A. do Sul, aumentando de frequência até 1956
- A resistência do BHC por sua vez, estendeu-se para Toxafeno e Aldrín
- Esses produtos foram logo abandonados e banidos do mercado como os clorados (DDT, BHC)
Com o aparecimento dos acaricidas e inseticidas de 2ª Geração, como os Fosforados em 1956 e os Carbamatos em 1960, o controle dos ácaros e insetos estabilizou-se, porém em 1963, os carrapatos já apresentavam
resistência aos Fosforados, com detecção dos primeiros focos na Austrália e em 1965 já se detectaram focos na América do Sul, no Brasil e na Argentina.
Os Carbamatos (Carbaril) por serem mais tóxicos e de curto espectro de ação, foram substituídos gradativamente pelos Fosforados e atualmente não são utilizado para controle de carrapatos e principalmente em insetos que apresentaram uma rápida
resistência a estes compostos químicos.
Os produtos químicos descobertos até então, além de terem apresentado resistência, se acumulavam no organismo, deixando resíduos que levavam à perturbações fisiológicas nos animais, como também se acumulando no organismo dos humanos, causando sérios
problemas de saúde pública.
Um outro inconveniente na utilização de produtos formulados com as bases químicas de 1ª e 2ª Geração, é que esta deve ser feita de uma maneira correta, seguindo as recomendações de bula, do fabricante e acompanhamento técnico, pois erros de dosagens e
um tratamento malfeito poderão gerar consequências muito graves, como morte do animal e contaminação ambiental.
Com os anos começaram a aparecer os inseticidas menos tóxicos e de maior eficácia, como os de 3ª geração como as Formamidinas (Amitraz) e os Inibidores de Crescimento (IGR) no final da década de 60.
Durante vários anos esses inseticidas acaricidas vinham sendo utilizados para controle de ectoparasitas artrópodes dos animais domésticos, mesmo apresentando restrições de utilização e até proibições de uso em animais produtores de leite e carne para
consumo humano.
Até então, um inseticida perfeito ainda não havia sido descoberto, porém nos últimos 50 anos, a pesquisa de produtos para saúde animal evoluiu e preocupados com as limitações e a toxicidade dos inseticidas e acaricidas descobertos, os cientistas
continuaram com as pesquisas.
Em função do trabalho desenvolvido pelos pesquisadores, na década de 70 foram descobertos vários compostos químicos de maior eficácia, amplo espectro de ação e de maior segurança, que podiam permanecer nos animais tratados com um baixo potencial de
resíduos, sem causarem efeitos colaterais e permitindo o consumo de carne e leite dos animais tratados.
Assim apareceram os compostos mais modernos, como os Piretróides (1973) e as Lactonas Macrocíclicas (1975), constituindo-se ambos em um grande passo para o controle das principais pragas que acometem os animais
domésticos.
Os Piretróides (Permetrina, Cipermetrina, Alfacipermetrina, Deltametrina) e as Lactonas Macrocíclicas (Milbemycinas e Avermectinas), se posicionaram de uma maneira tal, que se tornaram os antiparasitários de eleição para o controle dos principais ecto
e endoparasitos, como carrapatos, moscas, sarnas, piolhos e os vermes redondos gastrintestinais e pulmonares (Avermectinas).
Estes compostos químicos estão disponíveis em várias formulações e com custos atraentes, com máxima eficácia e residualidade, proporcionando a redução do espaçamento entre tratamentos e minimizando assim a possibilidade do aparecimento de focos de
resistência, pela diminuição da pressão exercida sobre os parasitos de uso de acaricidas e inseticidas.
Vários sistemas de combate e controle dos ectoparasitos são utilizados no Brasil:
- Indiretamente pelo uso de estratégias de controle
- Diretamente pelo uso de antiparasitários, com as seguintes características:
- Forte atividade acaricida e inseticida
- Excelente persistência de ação
- Baixíssima toxicidade para o homem e animais
- Degradação satisfatória no meio ambiente