Tratamento
Existem várias formas de tratamento dos animais infectados por agentes da Tristeza Parasitária, em que as chances de recuperação são de 100%, desde que estes animais sejam tratados logo no início da doença, após o aparecimento dos primeiros
sintomas.
Os medicamentos de eleição para o tratamento de um animal infectado por hemoparasitos da TPB sãp antibióticos à base de Oxitetraciclinas contra o Anaplasma sp., o uso de antiparasitários à base de Diaminazina contra as
Babesia sp. e o uso do Imidocarb para tratamento das infestações por Babesia sp. eAnaplasma sp.
O uso suplementar de tônicos fortificantes e reconstituintes orgânicos a base de minerais, vitaminas e aminoácidos, faz com que o animal retorne o mais rapidamente à atividade a que se destina.
Para acelerar ainda mais a condição orgânica do animal, recomenda-se a aplicação de um hepatoprotetor e um estimulante hepático para aumentar sua recuperação e, consequentemente, a restauração das hemácias.
Não se recomenda o uso de substãncias à base de ferro como terapia suplementar na Tristeza Parasitária, pois a anemia presente nesta doença não é do tipo ferropriva, o que invalida a presença deste microelemento mineral no tratamento desta doença.
Isto pode ser explicado em função de:
A anemia provocada pela Babesia spp é do tipo hemolítica e não uma anemia do tipo ferropriva (defeciência de ferro).
- As babesias se multiplicam dentro das hemácias e as destróem (hemólise). Durante a hemólise ocorre a liberação da molécula de hemoglobina, que é rompida, liberando assim o pigmento férrico na circulação sanguínea; o ferro liberado pode ficar no
organismo animal e ser reaproveitado
Como resultado, há uma diminuição do número de hemácias, surgindo a anemia hemolítica com resposta anemiante do tipo: - Normocítica: sem alteração do tamanho celular
- Macrocítica e normocrômica: o tamanho da hemácia circulante é aumentado e podem aparecer em seu citoplasma reações basofílicas que indicam a anemia regenerativa (não há indicação para o uso de ferro)
A anemia provocada pelo Anaplasma marginale é do tipo auto-imune e não uma anemia do tipo ferropriva (defeciência de ferro).
- Os anaplasmas provocam anemia do tipo auto-imune e a destruição das hemácias, que ocorre por eritrofagocitose, especialmente no baço
- Como resultado, as hemácias marcadas com antígenos solúveis e não mais parasitadas também podem ser fagocitadas, agravando o quadro de anemia. Esta anemia também não é ferropriva
Portanto, o ferro pode ser indicado na TPB, não como tratamento primário, pois a deficiência do ferro pode ocorrer como consequência da hemólise na evolução das anemias macrocíticas e normocíticas normocrômicas para microcíticas hipocrômicas, que é
secundária ao processo.
Como exemplo temos os leitões recém-nascidos, que já nascem com deficiência de ferro, o que os leva a uma anemia ferropriva, sendo por isto recomendada a aplicação de ferro no 1º ou 2º dia após o nascimento.