Diagnóstico
A anamnese é importantíssima para um diagnóstico preciso e correto como histórico da propriedade, sintomas apresentados etc.., testes sorológicos e pelos achados de necrópsia.
O importante para o diagnóstico é uma anamnese bem feita, procurando estabelecer sempre parâmetros que possam levar a bons resultados:
- Se os animais foram importados de áreas livres de carrapatos ou provenientes de regiões de instabilidade enzoótica
- Estes animais vão apresentar os primeiros sintomas de TPB entre 7 e 14 dias, após terem entrado em contato com os carrapatos
- Animais submetidos às condições estressantes
- Nestes casos, pode haver recidivas da doença, principalmente Anaplasmose e incluem-se neste grupo de animais aqueles submetidos a viagens longas, desmamas, castração, descorna, cirurgias etc..
Os sintomas clínicos apresentados pelos animais podem sugerir uma TPB, porém não são patognomônicos para o diagnóstico da doença.
Outros recursos poderão ser utilizados para o diagnóstico da TPB, o que possibilita a sua divisão nos seguintes planos:
Diagnóstico Clínico
Este diagnóstico é baseado em uma boa anamnese e pela sintomatologia clínica apresentada.
Os primeiros sintomas aparecem pela presença da Babesiose como febre com pelos arrepiados, anemia, hemoglobinúria, icterícia, anorexia, hemaciação e morte, variando de acordo com a quantidade de hemoparasitos inoculados e com a sensibilidade do animal,
seguido dos outros sintomas apresentados na segunda fase pela Anaplasmose.
Babesia bovis
- Febre alta próxima de 40º C
- Anemia
- Debilidade geral
- Prostração
- Inapetência
- Desidratação
- Raramente produz Hemoglobinúria
- Ação viscerotrópica com bloqueio dos capilares e congestão de órgãos, que podem ser vistos à necrópsia
- No SNC, desencadeamento de quadros neurológicos de incoordenação, movimentos de pedalagem, salivação e opistótomo (KESSLER et. al., 1992)
Babesia bigemina
- Febre alta próxima de 40º C
- Anemia
- Debilidade geral
- Prostração
- Inapetência
- Desidratação
- Hemoglobinúria
Anaplasma marginale
É o responsável pelos sintomas da segunda fase, já se apresentando na forma crônica da doença o que ajuda no diagnóstico como:
- Febre alta, acima de 40º C
- Palidez das mucosas (anemia)
- Icterícia marcante
- Ausência de hemoglobinúria
- Desidratação
- Anorexia
- Coprostase, com fezes ressecadas e com estrias de sangue
- Podem ocorrer casos de abortos e esterilidade
IMPORTANTE
Podem ocorrer surtos de anaplasmose sem ter havido babesiose ou vice versa.
Diagnóstico Laboratorial
Como auxílio para a confirmação de um diagnóstico clínico, em função da diferença que existe à sensibilidade dos medicamentos e à semelhança com diversas doenças, deve-se recorrer ao diagnóstico laboratorial, que é dividido em direto e indireto.
Diagnóstico direto
É feito através de esfregaços sanguíneos, corados pelo método de Giemsa, com observação do agente parasitário ou por um hemograma, com a finalidade de buscar-se a concentração de hemoglobina, os níveis protéicos séricos e plasmáticos, o hematócrito e
outros parâmetros sanguíneos e bioquímicos, sendo complementado por um exame urinário também de muita importância.
Diagnóstico indireto
É o exame complementar, pela utilização de técnicas de imunoensaios como a fixação de complemento, a imunifluorescência indireta, o ELISA indireto, a técnica de conglutinação e ainda técnicas mais modernas como a reação de polimerase em cadeia.
Necrópsia
Na necrópsia são encontradas mucosas e serosas hipocoradas ou ictéricas, hepatomegalia, esplenomegalia, nefromegalia, congestão de fígado, baço, rins, cérebro e cerebelo, linfonodos aumentados, bile espessa e grumosa, vesicula biliar distendida e
bexiga contendo urina escura.
Coletar material para exames anatomo-patológicos, como por exemplo em uma suspeita de uma babesiose visceral, a partir de fragmentos de cérebro e cerebelo, buscar no interior dos eritrócitos a Babesia bovis, aglutinados ao
capilar visceral.