Profilaxia

Para que seja implementado um bom programa de profilaxia das doenças infecto-contagiosas, o Médico Veterinário responsável por sua execução deve ter um amplo conhecimento dos principais fatores que afetam a saúde animal tais como:

  • Ambientais, onde as variações climáticas têm uma grande importância
  • Biológicos como as bactérias, vírus, fungos, helmintos, protozoários, carrapatos, moscas etc.
  • Nutricionais como as carências minerais e vitamínicas
  • Principais mecanismos de disseminação das doenças, como o contato entre animais e profissionais, água, solo, pastagens, tânsito de animais, parasitas vetores como mosca-dos-chifres, mosca-dos-estábulos, mosca doméstica, carrapatos e no caso da raiva o conhecimento de combate aos morcegos hematófagos

A profilaxia da raiva em herbívoros é feita mediante tomadas de medidas diretas e indiretas de controle, pela utilização de programas estratégicos e contínuos, utilizando-se a vacinação do rebanho nas regiões onde haja incidência de raiva e a eliminação dos agentes transmissores da raiva que são os morcegos hematófagos.

Para se controlar a raiva rural devem ser tomadas duas ações, ou seja:

Controle do Morcego hematófago


O Médico Veterinário ou o pecuarista ao suspeitar que exista a presença de um surto de raiva em uma determinada propriedade, a primeira providência a tomar, é fazer a notificação para o Setor de Vigilância Sanitária da região.

Este setor público tomará as providências para coleta de material para diagnóstico laboratorial e dar inicio a um programa de combate ao morcego hematófago.

O controle do morcego hematófago exige uma ação conjunta entre o pecuarista e o técnico responsável pela Vigilância Sanitária, a médio e longo prazos, para que sejam localizados os esconderijos dos morcegos, que muitas vezes, dependendo da topografia são locais de difícil acesso.

O processo de controle de morcegos hematófagos tem que ser seletivo e apropriado, para que não ocorra a morte de morcegos não hematófagos, como os frugívoros, insetívoros e ictiófagos responsáveis pela manutenção do ecossistema.

O Setor de Vigilância Sanitária efetuará a captura dos morcegos hematófagos em redes apropriadas, que após identificados receberão uma pasta com anticoagulante que é passada nas suas costas e posteriormente soltos.

Como os morcegos têm uma vida social muito comum, pois vivem em grupos de famílias, ao brigarem uns com os outros por espaço se ferem e se lambem, ingerindo a pasta, iniciando assim um processo de hemorragia que os leva à morte, em um curto espaço de tempo.

Como o repovoamento dos morcegos é muito rápido o sistema de controle deve ser feito de uma forma contínua e sistemática, tomando-se o cuidado de não eliminar-se toda a população, mantendo a densidade populacional do morcego hematófago em níveis aceitáveis.

Imunização do Rebanho


S imultaneamente ao controle do morcego hematófago, o pecuarista deve vacinar todos os animais da fazenda, com exceção das aves, que não são suscetíveis ao vírus rábico.

Nas áreas de ocorrência da raiva a vacinação dos herbívoros deverá ser anual nos bovídeos e eqüídeos com idade superior ou igual a 3 meses.

Animais que receberam a vacina pela primeira vez deverão receber uma dose de reforço após 30 dias.

As vacinações devem ser feitas sob orientação de um Médico Veterinário e, dependendo da avaliação oficial, as mesmas podem extender-se às outras áreas.