Profilaxia
Estudos epidemiológicos têm sido desenvolvidos para controle das helmintoses.
Em um estágio mais avançado já podemos trabalhar por região com identificação dos helmintos mais importantes e estudando a sua epizootiologia, a sintomatologia clínica e a sua dinâmica populacional, permitindo a utilização de esquemas de
profilaxia.
A profilaxia tem como objetivo reduzir a contaminação das pastagens por larvas de helmintos e a carga parasitária de formas imaturas e adultas nos animais, levando-se em consideração os seguintes pontos:
TRATAMENTOS
- Tático, curativo ou emergencial
- Estratégico
Tático, Curativo ou Emergencial
É baseado em uma decisão de momento, quando os resultados elevados nos exames de fezes efetuados em um determinado lote de animais, levam a um surto de verminose, como por exemplo, em decorrência da concentração de grande número de animais nos piquetes ou
ocasionalmente chuvas excessivas durante o período seco, como também quando da aquisição de animais de outras proprieadades.
Consiste no uso de anti-helminticos, sempre que houver sintomatologia clínica, mortalidade por verminose ou detecção de resultados elevados em termos de exames de fezes (OPG), realizados em um lote de animais.
É importante na escolha de um vermífugo, adotar como critério os seguintes pontos:
- Ter uma eficácia superior a 95%
- Ter excelente tolerância, não causando nenhuma reação sistêmica
- Se for injetável não causar irritação ou lesões no local da aplicação
- Ser utilizado em dose única
- Ser atóxico, não deixando resíduos no leite e na carne, sem causar nenhum efeito colateral no homem e no animal, principalmente os efeitos carcinogênicos, embriotóxicos e teratogênicos
- Ser Vermicida, larvicida e Ovicida
Quando o resultado do OPG (ovos por grama de fezes) em bovinos, alcançar números superiores a 500, recomenda-se o tratamento, com exceção para uma infecção por Haemonchus spp, que pode ser efetuado mesmo com resultados
inferiores.
Portanto, o controle tático consiste das seguintes medidas:
- Vermifugação dos animais, sempre que introduzir novos animais no rebanho procedente de outras propriedades, ou de pastagens distantes na mesma fazenda
- Após vermifugados, manter os animais em uma quarentena de pelo menos 12 horas
- O objetivo desta quarentena é evitar a eliminação de ovos nas pastagens, quando na utilização de produtos que não tenham ação ovicida, quando na transferência de bovinos infestados provenientes de propriedades com pastagens infestadas, para
aquelas livres de parasitos ou até transferir parasitos de espécies diferentes não existentes em uma propriedade infestada para uma não infestada
- Vermifugar as fêmeas antes da cobertura ou da inseminação artificial, durante o período da estação de monta
Estratégico
É baseado em estudos da epidemiologia na região a ser trabalhada, para conhecer a dinâmica populacional dos parasitos, tanto no hospedeiro e no meio ambiente, permitindo o uso de anti-helminticos em épocas menos favoráveis à sobrevivência e
desenvolvimento das larvas dos helmintos.
Consiste em controlar o parasita no hospedeiro durante o período seco e controlar o parasitismo clínico durante o período chuvoso.
Portanto a recomendação de no mínimo dois tratamentos anuais, sendo um no final do outono (abril e maio) e outro no início da primavera (setembro), tem a finalidade de eliminar as infecções adquiridas durante o verão (período chuvoso) e no inverno
(período seco).
Pode-se fazer uma terceira dosificação, no mês de julho, com a finalidade de eliminar os parasitos adultos que se encontram em hipobiose ou que foram adquiridos por uma infestação ocorrida no final do outono (maio) e início do inverno (junho).
Com este esquema a chance dos animais serem infectados após o tratamento é reduzida sistematicamente.
No Nordeste, o controle estratégico é um pouco diferente, e devido não ter as 4 estações do ano bem definidas, os tratamentos devem ser feitos no início do período seco (junho ou julho) e outro no final do período seco (novembro).
Podem ser feitos outros dois tratamentos, 60 dias após cada período, se o nível de infestação for alto, o que dependerá da precipitação pluviométrica na região.
Práticas de Manejo associadas à profilaxia
S ão medidas de controle que podem ser associadas ao uso de anti-helmínticos, com o objetivo de promover a descontaminação das pastagens, levando-se em consideração o tipo de exploração da propriedade. As medidas são:
Pastoreios mistos
Significa colocar numa mesma pastagem espécies diferentes de animais, pois acredita-se que a maioria dos vermes não são comuns a todos, com exceção do Trichostrongylus axei, que é comum a bovinos, ovinos, caprinos e
equinos.
Com este manejo, espécies de helmintos que são ingeridos por um animal que não é suscetível a este, não se desenvolvem e não completam o seu ciclo, sendo destruídos no trato gastrintestinal do hospedeiro.
Pastoreio Alternado com animais jovens
Consiste na colocação de animais jovens após vermifugados, em uma pastagem descontaminada, que receberá posteriormente animais adultos, que são menos suscetíveis aos vermes gastrintestinais.
Portanto, os animais jovens,com baixa carga parasitária utilizaram pastagens antes dos animais adultos.
Lotação de pastagens:
- Em um processo de superlotação de pastagens, a pressão de eliminação de fezes é muito grande, aumentado a quantidade de ovos e larvas nas pastagens
- A taxa de lotação ideal para um bom controle de verminose é a de 1,4 unidade/animal por hectare, pois assim, em uma lotação adequada de pastos, as fezes ficam mais espalhadas, permitindo um pisoteio melhor, fazendo com que ovos e larvas fiquem mais
espostos às condições climáticas e sofram uma maior dessecação por parte do sol
Descanso da pastagem
Diversas condições climáticas como alta ou baixa temperatura, umidade relativa do ar e inimigos naturais como fungos, leveduras, ácaros, coleópteros etc. são fatores limitantes para a sobrevivência de larvas infectantes nas pastagens.
Rotação de Pastagens
O uso do sistema de rotação das pastagens tem a vantagem de reduzir o nível de infecçção nos animais e a redução da contaminação ambiental, desde que feito com intervalos nunca inferiores àqueles que possam comprometer a qualidade do capim.
Por exemplo, em épocas de chuvas, o rodízio de pasto deve ser de no mínimo 40 dias e em outras épocas de no mínimo 35 dias, antes que o capim se torne muito fibroso.
Dados confirmam que a redução de infestação das larvas nas pastagens, pode ser reduzida em até 50 %.
Busca-se com este manejo a manutenção das pastagens livres de animais por um período de no mínimo 35 dias, fazendo com que os ovos e larvas presentes, morram por dessecação, (ação do frio ou calor), sabendo-se que 90% dos parasitos (ovos e larvas)
estão presentes nas pastagens e somente 10% no animal.
Sabe-se que bolos fecais contendo ovos de helmintos, que são depositados nos pastos ao início do período seco, permanecem por 6 meses ou mais como fonte de contaminação por larvas de 3º estágio de helmintos.
Estas larvas ainda, ao serem liberadas do bolo fecal, sobrevivem até por 2 meses protegidas pela vegetação.
Este técnica de profilaxia tem uma outra vantagem de evitar o deslocamento de animais por longas distâncias nos períodos secos, que por ser uma época crítica, de pouca disponibilidade de pastagens, evita o manejo de animais enfraquecidos e ou sujeitos
a doenças, para serem submetidos a tratamentos.
Medidas Adicionais de Controle
S ão medidas importantes, que podem ser adotadas como apoio no controle das verminoses.
São elas:
- Manter sempre limpa e desinfetada as instalações, utilizando-se desinfetantes pelo menos uma vez por semana, em estábulos leiteiros e de preferência efetuar duas caiações (pintar com tinta a cal) por ano
- Construir esterqueiras na fazenda
- Separar os animais quando possivel por faixa etária, pois os animais jovens são mais suscetíveis às verminoses do que os adultos
O sucesso na implantação de um programa profilático, depende do clima e de outras variáveis que devem ser consideradas, porém nada terá valor se não houver alimentação adequada, através do fornecimento de pastagens de boa qualidade e de sais minerais
de boa procedência.
Sem nutrição, os animais estarão vulneráveis ao parasitismo, que aproveita a debilidade orgânica pela carência nutricional, para levá-los a uma alta morbidade e mortalidade.