Profilaxia

O controle profilático da mosca-dos-chifres segue praticamente o mesmo programa para os carrapatos, porém alguns aspectos epidemiológicos devem ser considerados, como o ciclo da Haematobia irritans e a sua capacidade de se deslocar a grandes distâncias.

Segundo Moya Borja, o Sistema de Manejo Integrado das moscas (pragas) hematófagas (MIP), procura combinar todas as técnicas disponíveis para diminuir as infestações a níveis toleraveis por parte dos bovinos.

Para tanto estimula o uso dos inimigos naturais e agentes patógenos, em conjunto com o uso racional dos inseticidas específicos, dentro de um marco fundamentalmente ecológico.

Apesar desta nova visão de controle das pragas estar sendo assimilada pela maioria dos técnicos e pesquisadores, no caso específico do controle da mosca-dos-chifres, na prática, encontram-se algumas limitações e grandes desafios.

Para implantação de qualquer esquema profilático para controle da mosca-dos-chifres, vários aspectos de vital importância, devem ser considerados, principalmente uma avaliação econômica e condições onde se irá implementar o programa.

Na profilaxia, outros aspectos referente ao manejo devem ser observados e efetuados, tais como:

  • Avaliação do nível da infestação por mosca-dos-chifres
    • Antes de iniciar-se qualquer programa com produtos, efetuar a contagem das moscas (reunindo o gado ou com binóculo) em amostragem de 15 a 20% do rebanho, pelo menos por um ano, principalmente nas áreas onde não se conhece a dinâmica populacional das moscas
  • Uso de inseticidas tecnicamente comprovados sob o ponto de vista de eficácia, tolerância e sem resíduos tóxicos, que possam prejudicar o homem e os animais, assim como a facilidade de seu manuseio em banhos de Pulverização, Spray, Aspersão, Uso Pour On, Polvilhamento, Injetável e Oral

Outras medidas profiláticas tem auxiliado bastante no controle das infestações por mosca-dos-chifres, como:

  • Controle natural através de fatores bióticos e abióticos
    • Têm mantido as populações de Haematobia irritans em níveis toleráveis nos animais, por vários meses, sem necessidade de tratamento químico
  • Biocontrole
    • Pelo uso de microhimenópteros, parasitóides que comumente parasitam as pupas,como Spalangia nigroaena e S. cameroni pertencentes à família Pteromalidae ePhaenopria (Diapriidae), além dos coleópteros coprófagos das espécies Dichotomius anaglipticus,Aphodius pseudolividus e outros
    • Recentemente foi introduzido no Brasil o Digitontophagus gazella e um coleóptero Scarabaeidae da família coprofago, conhecido como rola bosta, que compete com as larvas da H. irritans, por utilizarem a massa fecal dos bovinos, para sua sobrevivência, embora em vários estudos realizados nos Estados Unidos, os resultados foram insatisfatórios, no combate a H. irritans
    • Portanto, a utilização de parasitos e predadores em populações elevadas de mosca-dos-chifres, não reduz as infestações, entretanto, como conservadores, devemos preservá-los
    • A captura das moscas sobre os animais, utilizando redes entomológicas e o enterramento das fezes frescas, somente é viável em sítios com plantel de reduzido número de animais
    • Em fazendas grandes, os touros são os mais infestados e como não apresentam perda de peso por qualquer grau de infestação, não precisam ser tratados, o que possibilita a sua separação do rebanho
    • A profilaxia da H. irritans, apesar de todas as alternativas encontradas, têm fracassado na maioria das vezes, pela falta de conhecimento das técnicas de manejo e pelo mau uso de inseticidas, em períodos errados

Conclui-se portanto que a profilaxia da H. irritans ainda depende da utilização de um controle por produtos químicos, pois o biológico, feito por meio de inimigos naturais importados, tem fracassado no combate desta praga, devido ao clima, ao hiperparasitismo, depredação da fauna nativa e pela falta de hospedeiros alternativos (Stiling, 1993).

Por essa razão, investigações mais profundas devem ser realizadas antes de se integrar o controle biológico, no manejo para redução das moscas hematófagas que atacam os animais.

O parasitismo, a depredação e a competição entre a entomofauna associada com o bolo fecal dos bovinos e o excesso de chuvas ou sua falta, têm um papel importantíssimo na supressão das populações da mosca-dos-chifres.